Angela Cullen faz uma declaração ousada de nove palavras, revelando por que ela deixou a Ferrari após o fracasso esmagador de Lewis Hamilton no GP do Azerbaijão
No mundo acirrado da Fórmula 1, onde alianças são forjadas e rompidas a cada volta da pista, o anúncio de Angela Cullen foi uma bomba. A fisioterapeuta neozelandesa, companheira leal de Lewis Hamilton durante seus anos de glória na Mercedes, havia retornado triunfalmente no início da temporada de 2025 para acompanhar o heptacampeão mundial em sua aventura na Ferrari. Mas neste domingo, 21 de setembro, um dia após o Grande Prêmio do Azerbaijão, ela fez uma declaração chocante nas redes sociais: “A Ferrari me quebrou; estou saindo para salvar Lewis”. Apenas nove palavras, mas carregadas de uma audácia rara em um paddock acostumado a silêncios pesados e declarações polidas. Essa revelação, postada no Instagram com uma simples foto em preto e branco de um capacete da Ferrari rachado, inflamou instantaneamente o debate. Por que Cullen, um pilar discreto da equipe, decidiu se aposentar após a humilhação de Hamilton em Baku? E, acima de tudo, quais são as consequências para o futuro do piloto britânico na Scuderia?

Para entender esse terremoto, precisamos voltar ao caos do circuito de rua de Baku. O Grande Prêmio do Azerbaijão de 2025, a quinta etapa da temporada, se configurava como um teste decisivo para a Ferrari. A equipe italiana, revigorada pela chegada de Hamilton em janeiro, esperava capitalizar os pontos fortes de seu SF-25, um monoposto de design agressivo que havia brilhado durante os testes de inverno no Bahrein. Hamilton, de 40 anos, chegou com a ambição de adicionar um oitavo título ao seu lendário recorde, alimentado pela paixão dos tifosi e pela promessa de um novo capítulo após doze anos de domínio na Mercedes. Cullen, por sua vez, havia retornado ao seu papel como treinador de desempenho no Projeto 44, a iniciativa filantrópica de Hamilton. O reencontro, oficializado em fevereiro durante os testes de pré-temporada, foi saudado como um retorno às raízes: “Angela é a mulher mais determinada que conheço”, disse Hamilton em março, referindo-se ao vínculo forjado entre 2016 e 2023, um período de quatro títulos consecutivos.

Sexta e sábado, no entanto, deram sinais do que estava por vir. Nos treinos livres, Hamilton marcou o tempo mais rápido no TL2, superando seu companheiro de equipe Charles Leclerc por uma fração de segundo. “O carro é mágico aqui”, ele se entusiasmou pelo rádio, enquanto Cullen, usando um boné da Ferrari, ajustava seus sensores biométricos na garagem. Mas a classificação azedou. Hamilton, preso no trânsito infernal e uma sessão interrompida por um furo de pneu de Lando Norris, conseguiu apenas o oitavo lugar. Pior ainda, na corrida, o drama foi consumado desde o início. Verstappen, implacável ao volante de seu Red Bull RB21, correu para uma vitória dominante, aumentando a diferença no campeonato. Piastri, o líder provisório, bateu no muro na primeira volta, dando um surpreendente pódio a George Russell e Carlos Sainz. Quanto a Hamilton, uma estratégia de pit stop malfeita — um double stacking mal executado sob o safety car — o relegou à décima posição, antes de uma laboriosa subida de volta para a oitava posição. “É uma decepção total”, admitiu ele após a corrida, com o rosto marcado pelo cansaço. “Tínhamos o pacote para terminar no pódio, mas os erros nos custaram caro.” Leclerc, em sexto, não mediu palavras: “Temos que reagir, não foi o nosso fim de semana.”
Por trás dessas performances medíocres, escondia-se uma realidade mais sombria, que Cullen, na primeira fila, absorveu de frente. Fontes de Maranello falam de tensões crescentes dentro da equipe desde Monza, onde Hamilton já havia chegado perto de uma crise com um oitavo lugar adicional. O SF-25, apesar de seus pontos fortes em retas – Baku está cheio deles – sofre de falta de estabilidade em curvas lentas, um calcanhar de Aquiles exacerbado pelas paredes implacáveis do circuito azeri. Mas, além dos aspectos técnicos, era o fardo psicológico que pesava. Hamilton, acostumado a ditar o ritmo, entrou em choque com uma dinâmica de equipe na qual Leclerc continuava sendo o queridinho dos engenheiros. As ordens da equipe, aplicadas à risca durante um momento-chave em Baku – onde Hamilton teve que ceder a posição ao seu companheiro de equipe sem nenhum ganho tangível – deixaram um gosto amargo. “Lewis está frustrado, sente que não tem total apoio”, disse uma fonte do Projeto 44 à AFP. Cullen, que cuida não apenas da preparação física do piloto, mas também da saúde mental, viu Hamilton se exaurir em noites sem dormir analisando dados de telemetria. “Ela estava lá para reconstruí-lo após cada passo em falso”, observa um observador do paddock. “Mas em Baku, ela desabou.”
A declaração de Cullen não é uma declaração impulsiva. Depois de sete anos ao lado de Hamilton, ela já havia se afastado em 2023 para explorar a IndyCar com Marcus Armstrong, uma pausa que a revigorou. Seu retorno em 2025 deveria ser um renascimento: fotos dela de vermelho, posando em frente a uma bandeira com o número 44, inflamaram os fãs em janeiro. No entanto, as últimas semanas revelaram rachaduras. Ausente dos dois últimos Grandes Prêmios – substituída por um jovem recruta da equipe médica da Ferrari – Cullen já havia gerado rumores. Uma postagem enigmática no Instagram, mostrando uma figura solitária de frente para o Mar Cáspio, alertou os seguidores. “A Ferrari me quebrou; estou saindo para salvar Lewis” é, portanto, o ápice de um desgaste gradual. Nessas nove palavras, ela aponta para uma estrutura rígida, onde decisões estratégicas – como aquele pit stop caótico em Baku – têm precedência sobre as necessidades individuais dos pilotos. “O fracasso de Lewis não é só dele”, disse ela em uma mensagem de voz compartilhada por um amigo. “É o sistema que o está sufocando. Eu me recuso a vê-lo morrer.”

As reações foram rápidas. O chefe da Ferrari, Fred Vasseur, minimizou o assunto em uma coletiva de imprensa de emergência: “Angela é uma profissional excepcional, mas as escolhas pessoais devem ser respeitadas. Lamentamos sua saída, mas Lewis continua sendo nosso maior patrimônio.” Hamilton, por sua vez, postou uma história sóbria: um coração partido cercado pela palavra “Gratidão”, marcando Cullen. Os tifosi divididos oscilam entre o apoio incondicional ao seu ídolo e as reclamações sobre um “vazamento” que enfraquece a equipe antes de Cingapura. No campeonato, Verstappen lidera com 285 pontos, seguido de perto por Piastri com 268. Hamilton, quinto com 162 pontos, vê seu sonho de um octacampeonato desaparecer, mas essa reviravolta dramática pode ser libertadora. Fontes já cochicham sobre um possível retorno de Cullen como freelancer, ou mesmo uma transição para uma estrutura híbrida com a Mercedes em 2026.
Esta saída marca um ponto de virada para Hamilton, que aborda a segunda metade da temporada com uma urgência renovada. Aos 40 anos, ele não pode mais se dar ao luxo de cometer erros. Baku, com suas voltas selvagens e drama, simboliza os desafios da Ferrari: paixão sem limites, mas execução aprimorada. Cullen, ao escolher a lealdade absoluta, é um lembrete de que na F1, os humanos triunfam sobre as máquinas. Sua declaração audaciosa de nove palavras pode muito bem reacender a chama em Hamilton, transformando o amargo fracasso em combustível para um retorno. Resta saber se a Scuderia se recuperará ou se este sussurro neozelandês anuncia uma tempestade mais ampla. Por enquanto, o paddock prende a respiração, esperando pela próxima curva.